segunda-feira, junho 20, 2011

tUnE-yArDs

Merrill Garbus. Conhecem? Já ouviram falar? Talvez não. E tUnE-yArDs – e sim, escreve-se assim – já ouviram? É mais provável mas convenhamos que é um nome que só agora começa a ter os holofotes para si virados de forma mais intensa.

Passemos então sem mais demoras às apresentações. tUnE-yArDs é o projecto que Merril Garbus partilha actualmente com Nate Brenner, se bem que a grande maioria dos créditos deva ser atribuída à excelentíssima senhora dona Merril. É dela toda a alma e chama que tUnE-YaRds exala. Não estou a exagerar, acreditem. Não é de interesse vital para esta prosa mas depois de lerem esta linha vão também ficar a saber que Garbus é natural da região de Nova Inglaterra, no Estados Unidos. Tentei determinar este pormenor com maior detalhe mas confesso que não investi muito tempo na pesquisa, pelo que mais não vou acrescentar.

Da primeira vez que se ouviu falar em tUnE-yArDs, os calendários mostravam o mês de Julho de 2009. Neste ponto poderão existir alguns que discordam da data aqui avançada e preferem referir que uns meses antes, Merril Garbus já dava que falar entre a comunidade mais alternativa, aquela que está sempre em busca da next best thing que ainda ninguém conhece. É verdade e passo a explicar, se bem que não me possa inserir em tal grupo. BiRd-BrAiNs – mania estranha, esta de saltitar assim entre minúsculas e maiúsculas –, o álbum de estreia de Garbus, saiu uns meses antes num formato um tudo ou nada fora normal: cassete. Para além disso foi gravado recorrendo apenas a um gravador de voz digital e montado com recurso a versões shareware de software de mistura. Ao ler isto podem pensar que a coisa o mais certo é soar estranha. Epah soa... mas também soa muito bem. A senhora Garbus tem o condão de pegar numa bateria e/ou num ukelele e conseguir montar os sons que vai produzindo de uma forma no mínimo cativante. Outro factor que não pode, de forma alguma, deixar de ser referido é a voz. É daquelas que tem um forte componente andrógina. Confere a cada tema personalidade e identidade, vida própria. Conseguir isto com um primeiro álbum não está ao alcance de todos. Há quem ande uma vida inteira sem o conseguir...

Pelo parágrafo anterior certamente depreenderam que o escriba está rendido à Merril Garbus e em particular à sua música. Podem é não ter percebido que já anda por aí um novo álbum, também com um nome estranho: W H O K I L L – sim com os espaço entre cada uma das letrinhas. W H O K I L L pega nas muito boas ideias que Bird-Brains encerrava em si e leva-as mais além. Ter uma editora como a 4AD por trás ajuda, é certo, mas o talento existe a rodos por ali e não está a deixar ninguém indiferente. Experimentem Gangsta, com uma batida diabólica e desconcertante que tanto nos deixa a abanar a cabeça como a bater o pé, isto se estivermos sentados, porque de pé o movimento corporal tem elevadas probabilidades de ganhar contornos mais amplos. Tentem Bizness, o primeiro avanço, e espelho perfeito daquilo que é a música por Merril Garbus, uma experiência intensa. Ou então Doorstep, se quiserem perceber o quão variado pode soar o registo vocal de Garbus. Escutem.

No meio disto tudo só está a faltar uma coisa. A presença de Garbus por Portugal. Quem teve hipótese de experienciar tUnE-yArDs no Primavera Sound, sabe o quão bom é mas eu... Não Digo Nada :)

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