Como já devem ter reparado a Deolinda tem tido por aqui algum destaque. E vão continuar a ter. Aqui fica a entrevista que tive oportunidade de lhes fazer via e-mail mas eu... Não Digo Nada (:
1 - Antes de mais... Porquê Deolinda? Existe alguma história por trás do nome?
O nome Deolinda surgiu depois de nos apercebermos que as canções que tínhamos em mãos, partilhavam entre elas uma entidade feminina, com uma personalidade muito vincada, que contava histórias. Pensámos: "porque não essa entidade ter um nome e ser esse o nome do grupo?". Assim foi, depois de uma proposta "Ivone" não ter reunido consenso, o Zé Pedro sugere "Deolinda" e assim ficou baptizada.
2 - Este último ano tem sido bastante agitado. Sentem que as coisas têm acontecido muito depressa ou têm simplesmente acontecido à velocidade certa?
Nem muito depressa nem muito devagar... naturalmente. Sentimos que a Deolinda tem dado os passos certos.
3 - Quando olham para a vossa música, apercebem-se que o fado anda por lá, mas depois não vêm nem ouvem a guitarra portuguesa. As pessoas ficam oum pouco espantadas. Foi uma opção deliberada da vossa parte, não a incluir em Canção ao Lado?
O fado anda por lá e por lá anda a música tradicional portuguesa, a música popular, pop, entre outras sonoridades. Ao utilizar guitarra portuguesa estavamos a comprometer todas as outras influências e rotular invariavelmente o projecto como fado. Assim há mais liberdade. Pensamos que o verdadeiro desafio musical do grupo passa por trazer para os nossos instrumentos, diferentes linguagens e sonoridades (o Luis com a guitarra clássica evoca a guitarra portuguesa, o cavaquinho, etc, o Zé com o contrabaixo traz o som de uma tuba). Além disso, há a questão de nenhum de nós saber tocar guitarra portuguesa... 4 - A internet revelou-se um meio bastante precioso para a Deolinda se dar a conhecer ao mundo. Pensam que sem a existência de sites como o MySpace, seria possível terem a visibilidade que têm agora?
Não. Seria muito difícil. Não só em questão de visibilidade como no contacto directo com o público, com outras bandas e não só. O ano passado muitos dos concertos que a Deolinda fez, por exemplo, foram contactos via myspace e hi5. Hoje em dia esta plataformas (Myspace, Youtube, Hi5, etc) são ferramentas essênciais à vida de qualquer músico.
5 - As reacções a Canção ao Lado têm sido óptimas. Esperavam uma aceitação assim tão positiva?
As reacções ao Cd têm-nos surpreendido bastante. Estamos muito contentes com a receptividade que tem tido a nossa música.
6 - A vossa agenda de concertos tem vindo a 'engordar' nos últimos tempos. Algum desses concertos merece uma referência especial, seja pelo espaço em que tocaram, pelo público...
Os concertos do Avante, o Festival Sons em Trânsito, no ano passado, e mais recentemente o concerto de lançamento no São Jorge, foram concertos que nos marcaram de forma especial. Por diversas razões, o espectáculo do Avante porque foi o primeiro grande Festival que fizemos, o Sons em Trânsito, por abrirmos para o Sérgio Godinho e o São Jorge, pelo espaço e pelas 900 pessoas que esgotaram a sala.
7 - Em Agosto vão actuar no Sudoeste. Um ambiente um pouco diferente daquilo a que estão habituados. O que esperam desse concerto?
A loucura! A Ana anda a treinar o stage-diving e o Luis está a pensar partir a guitarra em palco…
8 - Esta é mais para a Ana. Existe alguma canção que te dê um prazer especial cantar?
(Ana) Adoro cantá-las a todas, porque todas me sugerem uma abordagem vocal e musical diferente. O "Não sei falar de amor" pede uma postura completamente diferente do "Contado ninguém acredita", ou do "MPA". Enquanto cantora, para mim, isso é algo de gratificante e, diria mesmo, essencial. Mas há 2 músicas que em palco me "obrigam" a deixar cair um pouco a personagem, ou a "máscara", fechar os olhos e cantar com a minha própria voz: "Eu tenho um melro" e "Clandestino".
9 - No vosso concerto em Sines incluíram no alinhamento três temas (Entre Alvalade e as Portas de Benfica, Quando eu janto em restaurantes e A mais popular das Marchas) que não fazem parte do álbum embora pudessem perfeitamente integrá-lo. Foi por algum motivo em particular? Contam editá-las (decididamente valia a pena!)?
Sim, estão na forja para um próximo trabalho. Não incluiram a "canção ao lado" porque são novas, ainda estão em "rodagem" e a crescer.
10 - E quanto ao futuro? Quais as perspectivas, previsões ou planos?
Tocar, tocar, tocar. Dar a conhecer o grupo dentro e fora de portas e continuar a ser surpreendidos pelo que esta dona Deolinda tem para nos ensinar…
Aqui está o cartaz comleto para a décima edição do Músicas do Mundo. Como de costume vou andar por lá. Mais informação em www.fmm.com.pt mas eu... Não Digo Nada (:
ALINHAMENTO COMPLETO DOS CONCERTOS Quinta-feira, 17 de Julho
Siba e a Fuloresta (Brasil), 19h00, Ruas do CAS Bassekou Kouyaté & Ngoni Ba (Mali), 22h00, Auditório do CAS Serra-lhe Aí!!! & Os Rosais (Galiza), 00h00, Ruas do CAS
Sexta-feira, 18 de Julho
A Naifa (Portugal), 21h30, Porto Covo Herminia (Cabo Verde), 23h00, Porto Covo Hazmat Modine (EUA), 00h30, Porto Covo
Sábado, 19 de Julho
Flat Earth Society meets Jimi Tenor (Bélgica / Fin.), 21h30, Porto Covo The Last Poets (EUA), 23h00, Porto Covo Enzo Avitabile & Bottari (Itália), 00h30, Porto Covo
Domingo, 20 de Julho
Danças Ocultas (Portugal), 21h30, Porto Covo Asha Bhosle (Índia), 23h00, Porto Covo A Tribute to Andy Palacio feat. Special Guests (Belize / Honduras), 00h30, Porto Covo
Segunda-feira, 21 de Julho
Moscow Art Trio (Rússia / Noruega), 22h00, Auditório do CAS Lo Còr de la Plana (Occitânia), 23h30, Auditório do CAS Danae (Portugal), 01h00, Ruas do CAS
Terça-feira, 22 de Julho
Iva Bittová (Rep. Checa), 22h00, Auditório do CAS Moriarty (EUA / França), 23h30, Auditório do CAS Dead Combo (Portugal), 01h00, Ruas do CAS
Quarta-feira, 23 de Julho
Waldemar Bastos (Angola), 21h30, Castelo Justin Adams & Juldeh Camara (R. Unido / Gâmbia), 23h00, Castelo Kasaï Allstars (RD Congo), 00h30, Castelo Anthony Joseph & The Spasm Band feat. Joe Bowie (Trinidad / R. Unido / Estados Unidos), 02h30, Av. Praia
Quinta-feira, 24 de Julho
Mandrágora & Special Guests (Portugal / Bretanha), 19h30, Av. Praia Marful “Salón de Baile” (Galiza), 21h30, Castelo Toto Bona Lokua (Antilhas Fr./Camarões/Congo), 23h00, Castelo Orquestra Baobab (Senegal), 00h30, Castelo Silvério Pessoa (Brasil), 02h15, Av. Praia Toubab Krewe (EUA), 03h45, Av. Praia
Sexta-feira, 25 de Julho
Rachel Unthank & The Winterset (Reino Unido), 19h30, Av. Praia Asif Ali Khan & Party (Paquistão), 21h30, Castelo KTU (Finlândia/EUA), 23h00, Castelo Cui Jian (China), 00h30, Castelo Firewater (EUA), 02h15, Av. Praia Nortec Collective presents Bostich and Fussible (México), 03h45, Av. Praia
Sábado, 26 de Julho
The Dizu Plaatjies’ Ibuyambo Ensemble (África Sul), 19h30, Av. Praia Koby Israelite (Israel / Reino Unido), 21h30, Castelo Rokia Traoré (Mali / França), 23h00, Castelo Doran - Stucky - Studer - Tacuma (Irl. / Suíça / EUA), 00h30, Castelo Antibalas (EUA), 02h30, Av. Praia Boom Pam (Israel), 04h00, Av. Praia
Estrearam-se em Portugal ontem no Porto, na Casa da Música, para ser mais exacto mas eu vou ter de esperar pelo dia 10 de Julho para os ver: Vampire Weekend.
A oportunidade há muito que a esperava. O dia, ou melhor, a noite estava chuvosa mas isso pouco importava. O auditório do Centro de Artes de Sines, esse, estava cheio e esperava ansiosamente pela subida da Deolinda ao palco. Em palco, tal como em álbum, a Deolinda é personificada pelas violas de Pedro da Silva Martins e Luís José Martins, pelo contra-baixo de Zé Pedro Leitão e pela voz de Ana Bacalhau.
Por onde começar? Bem... a Deolinda começou com o animado Fado Toninho. O que dizer? Era olhar para o lado e ver as caras cortadas por um sorriso que durou até ao final do concerto. A voz de Ana Bacalhau é algo de fenomenal. Enche corações, enche uma sala e força a expressão mais carrancuda a ceder. Não dá hipótese... acreditem!
Com apenas um álbum talvez se pudesse pensar que a Deolinda não pudesse oferecer um espectáculo com uma maior duração e com uma grande capacidade de surpreender. Pois desenganem-se! Cada canção (ou história) era precedida por uma curta introdução. Notava-se muita vez um denominador comum: uma qualquer rapariga andava perdida de amores por um qualquer rapaz. O que variava era mesmo o desfecho: umas vezes a coisa dava-se mas já noutras nem por isso. Era olhar para os lados e ver as pessoas não só atentas ao deambular de Ana Bacalhau sobre o palco mas também para as suas palavras. Todos queriam saber como a história acabava.
Deu também para escutar três temas que não integram Canção Ao Lado. Aqui, especial destaque para Entre Alvalade e as Portas de Benfica, com uma letra simplesmente deliciosa sobre uma rapariga que se vai apaixonando por um rapaz (onde é que já se ouviu isto?) que usa o mesmo autocarro que ela entre (adivinhem se conseguirem)... Isso mesmo: entre Alvalade e as Portas de Benfica. Simples mas óptima.
No final o que dizer? Olhem... soube a pouco! Quero mais mas eu... Não Digo Nada :)
Ficam umas fotos e o alinhamento. Ah as fotos foram tiradas pelo Alexandre Venturinha. Gracias!
Alinhamento
Fado Toninho Mal Por Mal Lisboa Não É A Cidade Perfeita Contado Ninguém Acredita Não Sei Falar de Amor Quando Janto Em Restaurantes Fon-fon-fon Eu Tenho Um Melro A Mais Popular das Marchas Fado Castigo Ai Rapaz Entre Alvalade e as Portas de Benfica Movimento Perpétuo Associativo Garçonete da Costa de Fado Canção Ao Lado Clandestino O Fado Não É Mau
Era talvez um dos regressos mais esperados deste ano de 2008. Narrow Stairs é o sétimo álbum de estúdio dos Death Cab For Cutie. Fica o video do primeiro single dele extraído: I Will Possess Your Heart.
Já vinha seguindo a carreira dos Deolinda há algum tempo via MySpace mas a hipótese de os ver ao vivo acabava sempre saindo furada por este motivo ou pelo outro. Felizmente este Sábado vou tratar de corrigir essa falha. Sim... falha!
Hoje numa das minhas regulares investidas pela FNAC durante a hora de almoço acabei voltando com uma cópia de Canção do Lado, o recém-editado álbum de estreia.
Não é fácil definir os Deolinda. Se tentarmos pegar pela voz de Ana Bacalhau, alturas há em que parece que estamos em Alfama a ouvir cantar um fado vadio, noutras as comparações com Teresa Salgueiro são quase invetáveis. Isto para dizer que a voz é excelente, versátil e causa aquele arrepiozinho de prazer com uma facilidade desarmante.
Quanto à música... É fado? É. É fado vadio? Também! É pop? Porque não? As influências são muitas. O resultado, esse, é único. São catorze canções, catorze histórias (acho que é mesmo o termo perfeito). Temos o desnorteado Fado Toninho, a apaixonante Não Sei Falar de Amor ou a portuguesíssima Movimento Perpétuo Associativo:
"Agora sim, temos a força toda! Agora sim, há fé neste querer! Agora sim, só vejo gente boa! Vamos em frente e havemos vencer!
Agora, não que me dói a barriga... Agora não, dizem que vai chover... Agora não, que joga o Benfica E eu tenho mais que fazer..."
Mas há mais e ouve-se com um sorriso de orelha a orelha, do primeiro ao último minuto, vezes e vezes sem conta mas eu... Não Digo Nada (: Alinhamento:
1. Mal Por Mal 2. Fado Toninho 3. Não Sei Falar De Amor 4. Contado Ninguém Acredita 5. Eu Tenho Um Melro 6. Movimento Perpétuo Associativo 7. O Fado Não É Mau 8. Lisboa Não É A Cidade Perfeita 9. Fon-Fon-Fon 10. Fado Castigo 11. Ai Rapaz 12. Canção Ao Lado 13. Garçonete Da Casa De Fado 14. Clandestino
Quando se sente aquele arrepio de prazer pela espinha durante um concerto inteiro só pode querer dizer boa coisa. Acho que podia começar a dissecar o concerto, mas é última coisa que me apetece fazer neste momento. Um concerto simples merece uma crítica simples.
José González não é uma pessoa de grandes discursos. Em vez disso deixa a sua guitarra falar. Foi uma Aula Magna quase lotada que escutou cada acorde, cada nota, com uma devoção plena, silenciosa e respeitadora. González ofereceu uma prestação segura, plena de momentos, daqueles simples mas que podem valer tudo... O alinhamento, muito bem distribuído pelos dois álbuns, Veneer e In Our Nature, fez com que nem se desse pelo passar do tempo. Óptimo. Ele agradeceu. Nós também.
Não me apatece escrever muito mais. Neste momento são duas as palavras que pairam na minha cabeça... simples e belo.
Para terminar fica o video - oficial, não do concerto - daquela que, para mim, foi a melhor interpretação da noite, mas eu... Não Digo Nada (:
Ir a Belém e não comer uns pastéis é quase um acto criminoso. Ora, ir a Viena e não assistir a um concerto de música clássica ganha contornos muito semelhantes. A escolha recaíu na Imperial Orchester Wien - confesso que eram os que tinham o preço mais acessível, 25€, e mesmo assim exigiu algum regateio. As peças apresentadas na primeira parte foram de Mozart e na segunda de Strauss. Não estava à espera de gostar tanto mas eu... Não Digo Nada (: